Ontem eu fiz aniversário. Adquiri mais um ano para a minha existência. E eu fiz planos de vir até aqui, já que não apareço há mais de um mês. E queria escrever um texto doce, feliz, alegrinho, que nem foi o meu dia ontem, com as pessoas que eu amo muito.
Mas os planos não são todos meus...
Há uns quatro anos, eu li o resultado do exame do meu pai que acusava uma atrofia cerebelar. O médico já havia me adiantado algumas coisas, inclusive que essa doença é degenerativa. Eu fiquei bem triste. E, procurando uma letra de música no Google, fui parar no blog da Karime, o Funny Valentine, que não existe mais. Do Funny, eu fui parar em um outro blog, chamado Drops da Fal. Comecei a ler um texto aqui, outro ali. Quando percebi, já estava há mais de uma hora vasculhando os arquivos, e sentindo o coração menos apertado.
Mandei um e-mail, elogiando os textos. A Fal respondeu na hora. Mandei outro, ela respondeu de novo. De repente, eu estava desabafando com ela, uma estranha, que mora em Sampa. E essa mulher passou a fazer parte da minha vida. E me deu tantas, mas tantas alegrias, que eu não consigo traduzir em palavras a importância dela.
Ontem, enquanto eu estava feliz, rindo com as minhas pessoas mais amadas, a Fal perdia o amor dela, o Alê. E a minha alegria de ontem se esvaziou feito um balão furado. Não perdeu o sentido, vejam bem... se esvaziou.
Fal, minha fulô, minha amada, minha preciosa. Eu não queria estar aí com você. Eu estou. Todos os meus pensamentos, o meu carinho, o meu colo, tudo, tudo, tudo é para você. Porque é tudo o que eu posso fazer. E eu faço tudo por você, Falzita.
terça-feira, agosto 28, 2007
terça-feira, julho 03, 2007
Piscadelas
Eu sempre achei que ter filho era um investimento muito alto. Mas, olhem só: o Renan fez um fundo para a educação lá da filha dele com a jornalista e aplicou R$100.000,00. O Roriz, por sua vez, comprou uma novilha por R$300.000,00. Ó dúvida. Mãe ou criadora de gado? Criadora de gado ou mãe? Acho que vou ser senadora.
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Tenho lido um blog muito interessante, por indicação da marida. É o Totalmente sem-Noção. Blog tosco, coisa para estômago forte. Assuntos picantes e bu... deixa pra lá! Adoro o texto dos meninos, mas desconfio muito daquelas palavrinhas coloridas espalhadas. Coisa mais de menininha, pô!
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Existem dores, dizia Fernando, o Pessoa. Concordo. Mas existe o tempo. E esse é o melhor cicatrizante.
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Vou falar de novo, para quem ainda não escutou:
1. Depois dos 30 anos, a gente não tem "tipo", a gente tem oportunidade.
2. Sinceridade é que nem maionese de festa: todo mundo pede achando que vai adorar e depois fica passando mal.
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Tenho lido um blog muito interessante, por indicação da marida. É o Totalmente sem-Noção. Blog tosco, coisa para estômago forte. Assuntos picantes e bu... deixa pra lá! Adoro o texto dos meninos, mas desconfio muito daquelas palavrinhas coloridas espalhadas. Coisa mais de menininha, pô!
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Existem dores, dizia Fernando, o Pessoa. Concordo. Mas existe o tempo. E esse é o melhor cicatrizante.
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Vou falar de novo, para quem ainda não escutou:
1. Depois dos 30 anos, a gente não tem "tipo", a gente tem oportunidade.
2. Sinceridade é que nem maionese de festa: todo mundo pede achando que vai adorar e depois fica passando mal.
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sábado, junho 23, 2007
Mapa
1. Normalmente eu esqueço, mas tenho uma cicatriz no couro cabeludo. Eu tinha uns 4 anos e morria de medo de entrar em piscina. Um dia, venci o meu medo e entrei em uma piscina rasinha. Fiquei tão confiante que comecei a pular. Escorreguei e rachei a cabeça.
2. Eu tenho algumas rugas de expressão na testa. Um dos muitos hábitos da minha mãe é passar os dedos pela minha testa e dizer "Desfranze!". Eu peguei essa mania. Faço isso com todos os meus amigos.
3. Na minha bochecha esquerda, tenho três sinais. De vez em quando eu pego uma caneta e traço um triângulo. É perfeito.
4. Tenho uma marca no queixo, bem embaixo. Eu tinha uns seis anos, estava brincando em um monte de brita. Saí rolando e, quando cheguei ao chão, uma brita entrou de ponta no meu queixo. Fui parar no hospital. Acho que levei uns dois pontos.
5. Meu pescoço e meus braços são cheios de pintas. Uma das diversões dos meus colegas de escola e de faculdade era ficar brincando de liga-ponto. Eu vivia riscada.
6. Há uns três ou quatro meses fiz uma tatuagem nas costas. Foi uma tatuagem muito pensada, muito planejada. É um coração, envolto em uma fita, com as iniciais dos meus três sobrinhos: Céci, Laila e Noah. Meus amores eternos.
7. Um dia, eu senti uma dor emocional muito forte, fiquei muito triste mesmo. Não sei se foi coincidência, mas no mesmo dia apareceu um machucadinho no meu seio esquerdo. Não cresceu. Ficou uma marquinha pequena, que já está sumindo.
8. Tenho duas manchas brancas, uma de cada lado da barriga. Nasci com elas. Quando eu era criança, minha mãe dizia que eram duas folhas.
9. No meu umbigo, tem a cicatriz de uma videolaparoscopia. Na diagonal, mais ou menos uns três dedos abaixo, tem outra. Deu quelóide.
10. Tenho uma marca de catapora perto daqueles dois furinhos que ficam no início da bacia, por trás.
11. Na banda esquerda do bumbum, eu tenho uma marca. Eu caí um dia da cama e machuquei. Não gosto muito de lembrar esse dia. Fico triste.
12. Meu joelho é todo marcado das quedas que já levei. Foram muitas.
13. Meus pés são um caso exclusivo. Não tenho pele nos pés. Tenho papel de arroz, que rasga facilmente. Bolhas aos montes, calcanhar que resseca e, na sola, entre o dedão e o segundo dedo, meus calos de pirueta. Fui dançarina e já fiz muitas apresentações descalça.
Essas são as marcas externas. As internas... essas andam em constante cicatrização.
2. Eu tenho algumas rugas de expressão na testa. Um dos muitos hábitos da minha mãe é passar os dedos pela minha testa e dizer "Desfranze!". Eu peguei essa mania. Faço isso com todos os meus amigos.
3. Na minha bochecha esquerda, tenho três sinais. De vez em quando eu pego uma caneta e traço um triângulo. É perfeito.
4. Tenho uma marca no queixo, bem embaixo. Eu tinha uns seis anos, estava brincando em um monte de brita. Saí rolando e, quando cheguei ao chão, uma brita entrou de ponta no meu queixo. Fui parar no hospital. Acho que levei uns dois pontos.
5. Meu pescoço e meus braços são cheios de pintas. Uma das diversões dos meus colegas de escola e de faculdade era ficar brincando de liga-ponto. Eu vivia riscada.
6. Há uns três ou quatro meses fiz uma tatuagem nas costas. Foi uma tatuagem muito pensada, muito planejada. É um coração, envolto em uma fita, com as iniciais dos meus três sobrinhos: Céci, Laila e Noah. Meus amores eternos.
7. Um dia, eu senti uma dor emocional muito forte, fiquei muito triste mesmo. Não sei se foi coincidência, mas no mesmo dia apareceu um machucadinho no meu seio esquerdo. Não cresceu. Ficou uma marquinha pequena, que já está sumindo.
8. Tenho duas manchas brancas, uma de cada lado da barriga. Nasci com elas. Quando eu era criança, minha mãe dizia que eram duas folhas.
9. No meu umbigo, tem a cicatriz de uma videolaparoscopia. Na diagonal, mais ou menos uns três dedos abaixo, tem outra. Deu quelóide.
10. Tenho uma marca de catapora perto daqueles dois furinhos que ficam no início da bacia, por trás.
11. Na banda esquerda do bumbum, eu tenho uma marca. Eu caí um dia da cama e machuquei. Não gosto muito de lembrar esse dia. Fico triste.
12. Meu joelho é todo marcado das quedas que já levei. Foram muitas.
13. Meus pés são um caso exclusivo. Não tenho pele nos pés. Tenho papel de arroz, que rasga facilmente. Bolhas aos montes, calcanhar que resseca e, na sola, entre o dedão e o segundo dedo, meus calos de pirueta. Fui dançarina e já fiz muitas apresentações descalça.
Essas são as marcas externas. As internas... essas andam em constante cicatrização.
quarta-feira, junho 06, 2007
terça-feira, junho 05, 2007
Olhando de leve
Alguém já preparou, assim, uma festa para trinta pessoas e só apareceram dez? E sobrou um monte de comida?
Mais ou menos no mesmo caminho de raciocínio, alguém aí já preparou um amor bem legal, duplex, cama, mesa e banho e ninguém apareceu? E aí sobrou um monte de sentimento?
Nada não... só pensando.
*****************************************
Era uma terça-feira quando o meu médico de cabeça ligou (o neuro):
- Oi, Fabrícia! Tudo bem com você? Há quanto tempo!
- Oi, doutor! Pois é... tempo, né?
- Você está bem? E a família? Muito trabalho? Muito estudo?
- Tudo certinho doutor, e com o senhor?
- Eu estou bem... e, por falar em mim, hoje eu recebi o resultado de uma pesquisa que levanta a suspeita de que o remedinho que eu passei para você causa um probleminha na válvula do coração...
- COMO?????
- Ah, não é nada, não! Pelo que eu concluí é só em pessoas idosas, que tomam altas doses. Só para tirar a prova, já prescrevi um ecocardiograma. Você pode vir aqui pegar hoje?
- Pode ser amanhã, dout...
- Não, hoje!!!
- Tá bom... vou hoje...
Ri me levou direitinho ao consultório, fez as gracinhas de sempre com a mocinha da recepção, ouviu o barulho de Pato Donald que o meu coração faz e voltamos para casa.
Hoje fui pegar o resultado. Coração normal. Sei... e quem acredita?
*********************************************
Ontem tive um siricotico de depressão com o James. Falei, falei, gesticulei teatralmente, quase chorei. E disse: "Tenho que me segurar, porque tenho uma forte tendência à depressão". Mereço uma taca, não?
*********************************************
Assisti a "A Pele". Gente, eu amo o Robert Downey Jr. Peludo, pelado, de frente, de costas, limpo, drogado. Eu amo aquele homem. Recomendo o filme. Tem o estilo de que eu gosto.
*********************************************
Kika foi. Kika foi a São Paulo. Kika foi a São Paulo e trouxe para mim um catálogo. Kika foi a São Paulo e trouxe para mim um catálogo da exposição da "salve-salve-aleluia" Clarice, a Lispector. Não quero parecer interesseira ou materialista, mas meu amor por Kika aumentou uns doze pontos. E, agora que sou uma feliz proprietária de um cartão Gol, de repente me dá a louca e eu vou a Sampa só para ver Clarice.
*********************************************
Eu sempre quis um amor de cinema. Sempre quis grandes dramas e cenas inesquecíveis. Falas marcantes. Só me esqueci de pedir o roteirista certo. Putztanga!
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Mais ou menos no mesmo caminho de raciocínio, alguém aí já preparou um amor bem legal, duplex, cama, mesa e banho e ninguém apareceu? E aí sobrou um monte de sentimento?
Nada não... só pensando.
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Era uma terça-feira quando o meu médico de cabeça ligou (o neuro):
- Oi, Fabrícia! Tudo bem com você? Há quanto tempo!
- Oi, doutor! Pois é... tempo, né?
- Você está bem? E a família? Muito trabalho? Muito estudo?
- Tudo certinho doutor, e com o senhor?
- Eu estou bem... e, por falar em mim, hoje eu recebi o resultado de uma pesquisa que levanta a suspeita de que o remedinho que eu passei para você causa um probleminha na válvula do coração...
- COMO?????
- Ah, não é nada, não! Pelo que eu concluí é só em pessoas idosas, que tomam altas doses. Só para tirar a prova, já prescrevi um ecocardiograma. Você pode vir aqui pegar hoje?
- Pode ser amanhã, dout...
- Não, hoje!!!
- Tá bom... vou hoje...
Ri me levou direitinho ao consultório, fez as gracinhas de sempre com a mocinha da recepção, ouviu o barulho de Pato Donald que o meu coração faz e voltamos para casa.
Hoje fui pegar o resultado. Coração normal. Sei... e quem acredita?
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Ontem tive um siricotico de depressão com o James. Falei, falei, gesticulei teatralmente, quase chorei. E disse: "Tenho que me segurar, porque tenho uma forte tendência à depressão". Mereço uma taca, não?
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Assisti a "A Pele". Gente, eu amo o Robert Downey Jr. Peludo, pelado, de frente, de costas, limpo, drogado. Eu amo aquele homem. Recomendo o filme. Tem o estilo de que eu gosto.
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Kika foi. Kika foi a São Paulo. Kika foi a São Paulo e trouxe para mim um catálogo. Kika foi a São Paulo e trouxe para mim um catálogo da exposição da "salve-salve-aleluia" Clarice, a Lispector. Não quero parecer interesseira ou materialista, mas meu amor por Kika aumentou uns doze pontos. E, agora que sou uma feliz proprietária de um cartão Gol, de repente me dá a louca e eu vou a Sampa só para ver Clarice.
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Eu sempre quis um amor de cinema. Sempre quis grandes dramas e cenas inesquecíveis. Falas marcantes. Só me esqueci de pedir o roteirista certo. Putztanga!
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quinta-feira, maio 10, 2007
Família Gouveia-Pflüger foi embora. Choradeira no aeroporto, é lógico. E Lailoca dizendo:
_ Não chorrra, dina. Eu volto amanhã, tá bom?
Ou ainda:
_ Eu gosto muito, muito de você, dina.
Laila, eu sinto muito, mas você não está ajudando.
***************************************
Sheilinha, amore, estou tentando parar de comer carne vermelha. E amanhã vou começar a beber kefir. Espero sobreviver... :P
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"Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo", já dizia mestre Nelson Rodrigues.
_ Não chorrra, dina. Eu volto amanhã, tá bom?
Ou ainda:
_ Eu gosto muito, muito de você, dina.
Laila, eu sinto muito, mas você não está ajudando.
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Sheilinha, amore, estou tentando parar de comer carne vermelha. E amanhã vou começar a beber kefir. Espero sobreviver... :P
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"Não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo", já dizia mestre Nelson Rodrigues.
Eu acho que...
... nunca tive a capacidade de achar graça em pessoas preconceituosas e burras.
... se uma mulher quer colocar silicone, pagar cofrinho por aí, sair sem calcinha e mostrar as parte é problema dela e não meu.
... tentar ofender alguém usando palavras de teor sexual é trabalho de uma mente limitada.
... enquanto as próprias mulheres se colocarem a favor de pessoas que falam mal das mulheres, a violência contra o nosso sexo continuará crescendo absurdamente.
... os parlamentares deveriam ganhar apenas por projetos que demonstram ter alguma utilidade social. Ou, então, ganhar um salário mínimo e meio.
... a medida da ofensa não é inversamente proporcional à reação do ofendido.
... o Clodovil perdeu [mais] uma chance de se calar.
... se uma mulher quer colocar silicone, pagar cofrinho por aí, sair sem calcinha e mostrar as parte é problema dela e não meu.
... tentar ofender alguém usando palavras de teor sexual é trabalho de uma mente limitada.
... enquanto as próprias mulheres se colocarem a favor de pessoas que falam mal das mulheres, a violência contra o nosso sexo continuará crescendo absurdamente.
... os parlamentares deveriam ganhar apenas por projetos que demonstram ter alguma utilidade social. Ou, então, ganhar um salário mínimo e meio.
... a medida da ofensa não é inversamente proporcional à reação do ofendido.
... o Clodovil perdeu [mais] uma chance de se calar.
terça-feira, abril 17, 2007
Carnaval
Todas as vezes que eu decido virar vegetariana, bate uma vontade incontrolável de comer carne. Eu posso até passar semanas sem comer carne vermelha, mas basta eu pensar em deixar de comer carne vermelha é batata: fico com desejo de mastigar um bifão.
Sei de todos os benefícios que um tempo sem carne vermelha pode me trazer. Mas é mais forte do que eu.
Por outro lado, ontem eu eliminei toda e qualquer possibilidade de comer fois gras. Assisti a um programa na Record que mostrou como os patinhos e os gansinhos são selecionados, estufados e mortos.
Sim, eu sei. Os boizinhos e as vaquinhas não morrem dormindo... eu sei. Mas ainda não consigo largar a carne vermelha. Quem sabe um dia?
Sei de todos os benefícios que um tempo sem carne vermelha pode me trazer. Mas é mais forte do que eu.
Por outro lado, ontem eu eliminei toda e qualquer possibilidade de comer fois gras. Assisti a um programa na Record que mostrou como os patinhos e os gansinhos são selecionados, estufados e mortos.
Sim, eu sei. Os boizinhos e as vaquinhas não morrem dormindo... eu sei. Mas ainda não consigo largar a carne vermelha. Quem sabe um dia?
quinta-feira, abril 12, 2007
Experiências experimentadas
O mundo é um lugar estranho, muito estranho. Os elevadores daqui do Banco são mais velhos do que eu (obrigada aí a quem pensou "Ah, então são novinhos!". A quem pensou qualquer coisa diferente disso, desejo uma dor de barriga de três dias). Conta a lenda que eles estão sendo trocados, mas, até agora, a rotina de espera continua a mesma: 5, 7, até 10 minutos. E eu não gosto de descer pela escada porque fico muito tonta.
Aí eu pensei (ui!): todas as vezes que eu estou tirando um verdinho do dente com a unha do mindinho ou então arrumando a calcinha ou o soutian, o elevador se abre. Fiz um teste. Fingi que tirava um verdinho do dente com a unha do mindinho, puxei o elástico da calcinha duas vezes, estalando, ajeitei o soutian... e nada. O elevador não apareceu. Desci de escada, fiquei tonta e quase torci o pé.
O mundo é um lugar estranho...
Aí eu pensei (ui!): todas as vezes que eu estou tirando um verdinho do dente com a unha do mindinho ou então arrumando a calcinha ou o soutian, o elevador se abre. Fiz um teste. Fingi que tirava um verdinho do dente com a unha do mindinho, puxei o elástico da calcinha duas vezes, estalando, ajeitei o soutian... e nada. O elevador não apareceu. Desci de escada, fiquei tonta e quase torci o pé.
O mundo é um lugar estranho...
terça-feira, abril 10, 2007
Amar a(à) distância
Você sabe que eu te amo, não sabe? E que, em um mundo perfeito, esse amor seria eterno. Mas o mundo não é perfeito. É um mundo de bosta. E no meio desse mundo de bosta, meu amor se perde e deixa de ser eterno.
Eu, que queria dormir e acordar contigo todos os dias, que queria confortar tuas dores, sorrir contigo, segurar a tua mão na rua, me ver nos teus olhos, eu, que sempre quis essas coisas todas e muito mais, tenho que me contentar com um telefone mudo, com uma caixa postal sem mensagens e com uma cama grande, vazia e fria.
Tenho medo de me perder de ti. Tenho medo de não ser a personagem da história de amor que escrevi para mim. Tenho medo de um dia acordar e não te procurar mais ao lado.
E se eu sair para a rua e, de repente, perceber que o meu coração não dói mais? E se eu trocar olhares com alguém e me imaginar tocando esse alguém? E se eu entender que existe vida sem ti?
Meu desenho vai se apagando aos poucos. Não lembro mais o teu cheiro, nem o teu toque. E tenho medo. Muito mais por mim do que por ti.
Eu, que queria dormir e acordar contigo todos os dias, que queria confortar tuas dores, sorrir contigo, segurar a tua mão na rua, me ver nos teus olhos, eu, que sempre quis essas coisas todas e muito mais, tenho que me contentar com um telefone mudo, com uma caixa postal sem mensagens e com uma cama grande, vazia e fria.
Tenho medo de me perder de ti. Tenho medo de não ser a personagem da história de amor que escrevi para mim. Tenho medo de um dia acordar e não te procurar mais ao lado.
E se eu sair para a rua e, de repente, perceber que o meu coração não dói mais? E se eu trocar olhares com alguém e me imaginar tocando esse alguém? E se eu entender que existe vida sem ti?
Meu desenho vai se apagando aos poucos. Não lembro mais o teu cheiro, nem o teu toque. E tenho medo. Muito mais por mim do que por ti.
sexta-feira, março 30, 2007
Traços
Eu não consigo fazer uma linha reta. Nem usando régua. Um dia, eu estava revisando um relatório e fiz uma marcação. O programador visual veio me perguntar qual era o problema naquele trecho.
– Os marcadores estão desalinhados... olha só... eu até fiz um risco com a régua para você se guiar...
– Fá...
– Sim?
– O risco está torto...
É daí para pior. Por isso, eu tenho uma profunda admiração pelas pessoas que sabem desenhar. Deve ser muito bom poder concretizar idéias em forma de desenho. Se bem que bonequinhos-palito não são nada maus...
Quer conhecer um desenhista excelente? Clica aqui!
– Os marcadores estão desalinhados... olha só... eu até fiz um risco com a régua para você se guiar...
– Fá...
– Sim?
– O risco está torto...
É daí para pior. Por isso, eu tenho uma profunda admiração pelas pessoas que sabem desenhar. Deve ser muito bom poder concretizar idéias em forma de desenho. Se bem que bonequinhos-palito não são nada maus...
Quer conhecer um desenhista excelente? Clica aqui!
quarta-feira, março 28, 2007
Pequenos p(h)oderes
Eu concordo plenamente com aquela pessoa que disse que, para conhecer um ser humano, basta darmos a ele um pouquinho de poder. Não é um poderzão, não. Um tiquinho só, assim, um lasca de unha. Sim, porque gente pequena se contenta com coisas pequenas.
Um dos meus filmes prediletos – E o Vento Levou – tem um diálogo ótimo, em que a escrava diz para a Scarllet que um burro com arreios de ouro é apenas um burro com arreios de ouro. Mas, no caso do pequeno p(h)oderoso, o buraco é bem mais embaixo. Porque uma pessoa que pensa pequeno, mas que tem poder, ainda que pouco, pode criar uma crise sistêmica em todo o processo. E aí, todo mundo vai caindo, feito esculturas de dominó.
Tive uma ruim-nião hoje que demandou todas as minhas técnicas de autocontrole: pensei em Ghandi, sentei sobre as minhas mãos, para não gesticular, respirei fundo diversas vezes, pensei no azul, cantarolei musiquinhas bonitinhas na minha cabeça. E, mesmo assim, fiquei feliz por não ter o hábito de andar armada.
Mas o dia está lindo, os passarinhos cantam, daqui a pouco o Ri vai me dar um chiclete. E eu não vou dar mais esse pequeno poder a essa pequena pessoa.
Um dos meus filmes prediletos – E o Vento Levou – tem um diálogo ótimo, em que a escrava diz para a Scarllet que um burro com arreios de ouro é apenas um burro com arreios de ouro. Mas, no caso do pequeno p(h)oderoso, o buraco é bem mais embaixo. Porque uma pessoa que pensa pequeno, mas que tem poder, ainda que pouco, pode criar uma crise sistêmica em todo o processo. E aí, todo mundo vai caindo, feito esculturas de dominó.
Tive uma ruim-nião hoje que demandou todas as minhas técnicas de autocontrole: pensei em Ghandi, sentei sobre as minhas mãos, para não gesticular, respirei fundo diversas vezes, pensei no azul, cantarolei musiquinhas bonitinhas na minha cabeça. E, mesmo assim, fiquei feliz por não ter o hábito de andar armada.
Mas o dia está lindo, os passarinhos cantam, daqui a pouco o Ri vai me dar um chiclete. E eu não vou dar mais esse pequeno poder a essa pequena pessoa.
segunda-feira, março 26, 2007
Estranhos encontros
Ela entrou no metrô. Cabelos bem presos em um coque, saia e blusa pretas, bem comportadas, óculos e uma bolsa enorme. Sentou ao lado de um rapaz que, de cabeça baixa, ouvia música com fones de ouvido. Assim que o metrô começou a se mover, ela tirou um livro da bolsa (Tete a tete, sobre Sartre e Beauvoire). Ia ser um longa viagem...
De repente, ela se sente observada pelo rapaz. Olha para ele e...
– Vandinha Corda Bamba!
– O quê, meu senhor?!!
– Eu estava tentando lembrar onde já tinha visto a tua cara! Vandinha Corda Bamba, lá da boate Love Sky.
– O senhor está enganado. Deve estar me confundindo com alguém.
– E eu lá vou esquecer essas coxas, Vandinha? Cada uma dá pro mês lá em casa.
– Meu senhor, eu já disse que é um engano. Nunca vi o senhor na minha vida, nunca coloquei os pés nessa e em nenhuma boate.
– Quié isso, Vandinha? Tá com vergonha? E que roupa de crente é essa?
– Senhor, essa é a minha roupa de trabalho.
– Trabalho? Tá fazendo ponto com essa roupa?
– Fazendo o quê, senhor? Não, eu sou governanta.
– Governanta, sei. Sei bem o que tu governa. Vai tê show lá hoje?
– Não sei do que o senhor está falando.
– Do show de strip, ué. Um amigo meu tá louco pra ver o teu número. Aquele lance de tirar a roupa se equilibrando numa cordinha, maior doidera.
– O SENHOR, POR FAVOR, ME RESPEITE!
– Quié isso, Vandinha?
Mas ela já havia se retirado para o outro lado do vagão. O rapaz pensou que talvez tivesse se enganado mesmo. Vandinha Corda Bamba com aquelas roupas? E às 7 da manhã? Não rolava.
Discretamente, ela retira um caderninho de dentro da bolsa. Pega uma caneta, vira as folhas e risca "Love Sky" de uma lista de quinze nomes. E suspira.
– É... tá na hora de mudar.
De repente, ela se sente observada pelo rapaz. Olha para ele e...
– Vandinha Corda Bamba!
– O quê, meu senhor?!!
– Eu estava tentando lembrar onde já tinha visto a tua cara! Vandinha Corda Bamba, lá da boate Love Sky.
– O senhor está enganado. Deve estar me confundindo com alguém.
– E eu lá vou esquecer essas coxas, Vandinha? Cada uma dá pro mês lá em casa.
– Meu senhor, eu já disse que é um engano. Nunca vi o senhor na minha vida, nunca coloquei os pés nessa e em nenhuma boate.
– Quié isso, Vandinha? Tá com vergonha? E que roupa de crente é essa?
– Senhor, essa é a minha roupa de trabalho.
– Trabalho? Tá fazendo ponto com essa roupa?
– Fazendo o quê, senhor? Não, eu sou governanta.
– Governanta, sei. Sei bem o que tu governa. Vai tê show lá hoje?
– Não sei do que o senhor está falando.
– Do show de strip, ué. Um amigo meu tá louco pra ver o teu número. Aquele lance de tirar a roupa se equilibrando numa cordinha, maior doidera.
– O SENHOR, POR FAVOR, ME RESPEITE!
– Quié isso, Vandinha?
Mas ela já havia se retirado para o outro lado do vagão. O rapaz pensou que talvez tivesse se enganado mesmo. Vandinha Corda Bamba com aquelas roupas? E às 7 da manhã? Não rolava.
Discretamente, ela retira um caderninho de dentro da bolsa. Pega uma caneta, vira as folhas e risca "Love Sky" de uma lista de quinze nomes. E suspira.
– É... tá na hora de mudar.
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